
Torcedores do centro de Kingston escolhem seleções da Copa do Mundo por amor, aparência e lealdade de longa data
Lisa admite que sabe pouco de futebol, mas tem certeza de uma coisa: o Neymar, sozinho, já basta para ela torcer pelo Brasil. Em uma área comercial do centro de Kingston, a mulher disse que sua afeição pelo atacante brasileiro tinha raízes na fantasia, e não na tática. "O Neymar é o meu homem!", disse ela ao THE STAR. "Agora mesmo eu não me importaria que ele viesse me buscar das correntes deste país e, no ano que vem, corrêssemos de um lado para o outro nas águas do Brasil no Ano-Novo." O comentário parecia aludir aos conhecidos rituais brasileiros de Ano-Novo à beira-mar, quando multidões vestidas de branco se reúnem na orla e saltam pelas ondas em busca de sorte. "Melhor que ele faça isso, porque o meu homem não faz! Estou falando do Neymar", disse ela. "Eu não sei nada de futebol, mas desde que me lembro, a minha família diz que é o Brasil na Copa do Mundo. Então é o Brasil que eu torço. Olha como o Neymar é bonito?"
Com a Copa do Mundo FIFA de 2026 já em andamento, a empolgação já tomou conta do centro de Kingston, onde vendedores de rua, compradores e profissionais de salão escolhem suas lealdades, debatem favoritos e brincam com os jogadores que chamaram sua atenção.
A devoção à Copa do Mundo na Jamaica frequentemente atravessa gerações, com grande número de torcedores se reunindo em torno de seleções como o Brasil, pentacampeão; a Argentina, tricampeã e atual detentora do título; a Inglaterra, campeã uma vez; e Portugal, que ainda busca sua primeira taça. Para outros, porém, o vínculo vem da infância, do costume familiar, de atletas admirados e, entre algumas mulheres, de jogadores que tornam o esporte digno de ser assistido ainda antes do apito inicial.
"Para mim não é sobre o jogo. Eu só quero que a minha equipe ganhe, porque no meu time só tem homem bonito", disse Lisa.
Embora o ponta do Real Madrid Vinícius Júnior tenha se consolidado como uma das principais figuras do Brasil, o Neymar continua entre os nomes mais conhecidos e celebrados do país para observadores casuais. Antes do Neymar, Lisa recordou, outro brasileiro havia capturado sua atenção. "Um tempo foi o Marcelo, antes de ele se aposentar. Parecia que ele poderia me levar para a costa norte, a Negril, comer peixe e bammy e tirar umas fotos. Ele parecia desse tipo", disse ela. "Eu sei que, como mulher, não sou a única que fantasia com esses jogadores", acrescentou.
A colega torcedora do Brasil Sash descreveu seu apego à seleção como profundo e duradouro, com a esperança de um sexto título mundial. "Sim, é o Vini (Vinícius Júnior), você sabe que o Brasil é a minha equipe. Eles têm que levar a taça para casa. Queremos a sexta estrela", disse ela. "O Vini é o meu jogador favorito. Ele é a coisa mais quente, a novidade que está surgindo." Quando perguntada se aceitaria um encontro com o jogador, respondeu sem hesitar. "Se ele fosse me levar para um encontro? Para onde ele quiser ir, estou pronta", disse ela, rindo. Ainda assim, Sash enfatizou que não era uma convertida de última hora. "Sou torcedora desde que me conheço e conheço a Copa do Mundo. Não suporto essa coisa de pular de bandeira. Ganhe, perca ou empate", disse ela. Ela admitiu, porém, que o resultado de estreia do Brasil, um empate de 1 a 1 com o Marrocos, a deixou querendo mais. "O primeiro jogo desse lado pareceu abalado, mas vamos nos recuperar. Acredito na minha seleção. Mesmo quando não dão certo, ainda digo Brasil", disse ela.
Na Princess Street, a cabeleireira Speedy também declarou o Brasil como sua seleção, citando Vinícius Júnior e Neymar como suas principais escolhas. "Não sei por quê, mas eu simplesmente gosto desses dois. Eles jogam bem", disse ela. Seu apoio, disse ela, não precisava de muita explicação. "Não sei, mas é pelo Brasil que eu torço. O Brasil é o meu favorito", disse ela. Perguntada se recusaria um convite dos jogadores, disse que não. "Para onde eles quiserem me levar, eles me levam, ainda que seja diferente da Jamaica", disse ela.
O Brasil não levou todas as vozes na multidão. A vendedora Juliette falou abertamente de sua lealdade à Argentina, que estava prestes a iniciar seu jogo do Grupo J contra a Argélia no dia da reportagem. Ela traçou essa paixão ao longo de muitos anos até o ex-atacante Sergio ‘Kun’ Agüero, que deixou o futebol profissional em 2021, mas ainda desperta carinho entre os torcedores argentinos. "Coloquei meu neto de nome Kun Agüero, então tenho que amá-lo. Gosto de como ele jogava", disse ela. "Ele jogava como se estivesse jogando pela equipe." Ela estava confiante de que a Argentina permaneceria competitiva em 2026. "Temos que ganhar. Nada pode nos fazer perder. Somos nós que vamos ganhar a Copa do Mundo de 2026", disse ela.
O comprador Chris, por sua vez, disse que aparência e personalidade frequentemente orientam torcedores casuais. "Crianças e mulheres não entendem muito o jogo e escolhem com base na aparência", disse ele. Admirador de Lionel Messi, argumentou que estrelas como Cristiano Ronaldo frequentemente atraem torcidas casuais mais amplas por meio da imagem e do apelo comercial. "O Messi não se importa muito. Ele só quer jogar futebol e voltar para casa", disse ele.
Sindicado de Jamaica Star · publicado originalmente em .
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