Faye Ellington alerta que a revivalização do riddim Hill and Gully está sendo prejudicada por letras explícitas
A veterana apresentadora e comentarista cultural Faye Ellington está exortando os jamaicanos a prestar mais atenção à música e às mensagens que circulam online e no dancehall, com foco no disputado ritmo Hill and Gully.
Ellington argumenta que as tradições folclóricas da ilha merecem honra, e não ser reduzidas a material obsceno. Ela alertou que combinar letras explícitas com o ritmo popular pode enfraquecer a herança cultural da Jamaica.
Ela elogiou o produtor Steven McGregor por resgatar um ritmo enraizado na tradição folclórica, mas disse que vários artistas o aplicaram de formas que ela considera desrespeitosas e excessivamente vulgares.
"Não tenho problema com o que o Steven fez, ao trazer esse ritmo para nós na Jamaica de hoje", disse ela, "mas a vulgaridade que algumas pessoas decidiram colocar nas letras" a incomoda. "A profanação me incomoda porque, se você não entende a sua história, não vai entender de onde vem."
Ellington descreveu o trabalho de McGregor como brilhante por reposicionar a música folclórica para o público de hoje e acrescentou: "Você vai e polui com a sua vulgaridade. Dance, dance. Dance."
Ela enfatizou que a música folclórica jamaicana tem grande peso histórico e cultural e que muitos jovens permanecem desconectados dessas raízes. Perguntou quantos jovens visitam o Institute of Jamaica ou assistem a apresentações de cantores folclóricos jamaicanos, os Carey folk singers ou os Hatfield singers, observando que gravações — inclusive material no YouTube — estão amplamente disponíveis para quem as procura.
Ellington também criticou letras que menosprezam as mulheres, dizendo que, quando o desrespeito é a única forma de um artista abordar a condição feminina, "há algo errado com você" e com as mulheres que aceitam isso, incluindo muitas que frequentam espaços de dancehall.
Além dos artistas, ela pediu que políticos, a Jamaica corporativa, igrejas e educadores façam mais para promover padrões culturais positivos. "Todos temos de nos perguntar: que Jamaica queremos?", disse ela. "O que queremos que ela represente? São só letras sobre armas? São só letras voyeurísticas sobre mulheres? São só letras de esgoto? E ninguém me venha dizer que isso vende. Ninguém me venha com essa história."
Sindicado de CVM TV News (Video) · publicado originalmente em .
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