
Morte em hospital e adiamentos cirúrgicos reacendem debate sobre saúde pública na Jamaica
Familiares de um paciente que morreu no Cornwall Regional Hospital estão pressionando a equipe por explicações, alegando que a pessoa esperou várias horas antes que um leito ficasse disponível na unidade de Montego Bay.
Ao mesmo tempo, o Kingston Public Hospital — amplamente visto como a principal instituição médica do país — teve de adiar cirurgias eletivas após a falha do sistema central de ar-condicionado.
Juntos, os dois episódios trouxeram novo escrutínio às fraquezas persistentes da rede de saúde pública da Jamaica, com figuras da oposição à frente das críticas.
Em comunicado no domingo, o KPH atribuiu a pane do sistema de refrigeração à idade do edifício, partes do qual remontam a cerca de 250 anos, e à deterioração de equipamentos vitais que não podem ser obtidos facilmente na Jamaica.
Na tarde de segunda-feira, a oposição divulgou seu próprio comunicado, incentivando os cidadãos a exigir responsabilização do Governo. Pediu ao Ministério da Saúde que ordene uma revisão independente da infraestrutura nos dois hospitais, publique um cronograma claro de reparos com metas específicas e reserve recursos suficientes para soluções duradouras.
O porta-voz da oposição para Saúde, Dr Alfred Dawes, disse: "No ano passado, quando levantamos a preocupação de que havia mofo nas salas de cirurgia e na UTI do KPH, a reação imediata foi de que se tratava de campanha eleitoral e de maldade, e o que fizeram foi anunciar que em duas semanas as salas estariam abertas. Ora, quando há mofo, deveria ser emitida uma certificação de qualidade do ar que comprovasse a ausência de mofo. Eles não fizeram isso. Nunca esperaram para ver se o mofo havia sido tratado adequadamente. Simplesmente entraram, aplicaram algumas camadas de tinta nova e reabriram as salas de cirurgia."
Quanto ao Cornwall Regional, o Dr Dawes argumentou que os problemas vão além do número de funcionários e da disponibilidade de leitos. "É uma questão de política. O que deveríamos ter feito nos últimos 10 anos foi analisar o número crescente de pacientes com doenças crônicas que se apresentam em estado agudo no hospital. Ou seja, chegam com pressão arterial alta, chegam com diabetes descontrolada e chegam com dor no peito."
Os dois casos diferem em natureza — um enraizado na falha de instalações e equipamentos, o outro no volume de pacientes —, mas a oposição os trata como evidência de que a reforma do sistema nacional de saúde estagnou.
O Dr Dawes acrescentou: "Estamos retrocedendo. Já disse na minha apresentação setorial que, por mais que falem do orçamento de saúde ter triplicado em relação aos $60 bilhões em 2016 para agora, creio, $90 bilhões. O que vemos é uma piora em todos os principais indicadores de um sistema de saúde. Estamos vendo o agravamento das taxas de mortalidade materna. Estamos vendo taxas de câncer piores do que a média global, o que significa que estamos indo pior do que o resto do mundo e, em muitos casos, pior do que nossos vizinhos caribenhos."
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