
Casal jamaicano dividido entre Argentina e Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo
A obsessão pelo futebol costuma girar em torno dos homens da casa — camisas coloridas, discussões barulhentas e noites ansiosas grudadas na tela. Na casa de Quarion Swaby-Henry, esse estereótipo não se sustenta. Ela acompanha o marido, Joel Henry, passo a passo no barulho, na análise e na torcida.
Ela torce pela Argentina. Ele torce pela Inglaterra. Ela acompanha o esporte com atenção, lê o jogo e se impõe em qualquer debate de torcedor. “Digam a eles que nós dois entendemos o jogo e que eu não preciso ficar perguntando o que é impedimento”, brincou ela.
Com Argentina e Inglaterra anunciadas para uma semifinal de alto risco da Copa do Mundo FIFA 2026, a tensão clube-contra-clube do casal em casa está prestes a atingir o auge. Além de uma vaga na final, o resultado vai decidir quem leva os direitos de se gabar sob o mesmo teto. “Podemos não torcer pelo mesmo time, mas torcemos pela mesma paixão pelo jogo”, disse Joel.
O futebol atravessa a parceria deles há anos, trazendo humor, provocações e uma rivalidade leve. Joel contou que, quando nem a Argentina nem a Inglaterra estão em campo, costumam torcer juntos por um mesmo lado, sobretudo por uma seleção africana. “Alguns jogos eram de noite, e a gente assistia juntos. Quando não é o time dela nem o meu, a gente fica bem e torce pelo mesmo time”, compartilhou Joel. “Quando o nosso time está jogando, aí é outra história”, acrescentou.
Essa veia competitiva se aprofundou junto com o relacionamento, mas este confronto carrega um peso novo: será a primeira vez que eles veem suas seleções nacionais escolhidas se enfrentarem no maior palco da Copa do Mundo.
A Argentina, sob Lionel Messi, busca títulos seguidos da Copa do Mundo — feito que nenhum país conseguiu desde as conquistas do Brasil em 1958 e 1962. A Inglaterra corre atrás do primeiro campeonato desde 1966. Joel confessou que nunca esperou que a Argentina avançasse tão longe. “Quando o time dela está jogando, eu realmente quero que o time dela caia fora”, confessou. “Eu não sou o mais falante do relacionamento, então fico quieto até o jogo dela acabar. Mas ela é quem provoca.”
A última vitória da Inglaterra sobre a Argentina em Copa do Mundo foi em 2002, um 1 a 0 na fase de grupos selado por um pênalti de David Beckham. Quarion espera um enredo diferente desta vez. “Desculpa aí, meu irmão, porque eu já estou pronta para bater tampas de panela”, disse ela.
Ela preferia uma final Argentina–França, enxergando-a como o palco ideal para os campeões responderem aos céticos que minimizaram o título de 2022. Esse caminho se fechou quando a Espanha eliminou a França na semifinal de terça-feira, e a Argentina agora se volta para a Inglaterra. “Vamos reconquistar o título”, afirmou ela confiante.
Joel acredita que a longa seca da Inglaterra pode chegar ao fim. “A bola é redonda, então eu só não fico na conversa: a gente joga limpo”, enfatizou. Quarion interrompeu com risadas antes que ele pudesse desenvolver o ponto. “Cada jogo que a gente vence eles dizem que foi marcado”, brincou ela.
A divisão futebolística é só um fio de um laço que começou na amizade. Eles se conheceram por meio de um jogo online que depois virou romance. “Era um jogo online em que você tinha que fazer perguntas e adivinhar a resposta da pessoa, então a gente ficava sempre jogando, sem perguntar nada fora disso, e aí um dia eu tive coragem e perguntei se havia alguma coisa que ela quisesse me perguntar fora do jogo e a partir daí...”, lembrou Joel.
Mesmo quando os favoritos deles se alinham um contra o outro, o esporte ainda os une. “Ele leva mais a sério do que eu, ele é torcedor do Arsenal”, disse Quarion, rindo. “O meu time é o Barcelona.”
Sindicado de Jamaica Star · publicado originalmente em .
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