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Jamaica Observer

Holness e Brown Burke trocam acusações enquanto polêmica da maça no Gordon House se aprofunda

St. Andrew
Holness e Brown Burke trocam acusações enquanto polêmica da maça no Gordon House se aprofunda

As tensões desencadeadas pelo incidente com a maça na semana passada no Parlamento aprofundaram-se na terça-feira depois que a presidente da Câmara dos Deputados, Juliet Holness, acusou publicamente a deputada Angela Brown Burke, da Oposição, de repetidamente submeter à prova a autoridade da Mesa, revelando que a representante de St Andrew South Western também perturbara uma sessão anterior neste ano. Brown Burke, por sua vez, disse mais tarde àquele dia ao Jamaica Observer que os incidentes não eram episódios isolados, argumentando que a crescente frustração com o que classificou de esforços contínuos para silenciar e ignorar vozes da Oposição levara o clima em Gordon House ao limite.

Quando a Câmara dos Representantes iniciou a sessão de terça-feira, Holness usou uma declaração prolongada para defender a disciplina parlamentar e advertir parlamentares que a desobediência e a desordem não seriam toleradas a ponto de fragilizar a instituição, após as cenas inflamadas da semana passada durante o debate sobre o projeto de lei da Autoridade Nacional de Reconstrução e Resiliência (NaRRA — National Reconstruction and Resilience Authority Bill).

A presidente afirmou que Brown Burke também provocara distúrbios na sessão de 5 de março, quando "levantou-se do seu lugar e declarou em voz alta e ruidosa: 'Quer que eu me comporte como uma virago? Vou me comportar como uma virago.'"

"Não foi a primeira ocasião em que uma conduta desta natureza submeteu à prova a autoridade da Mesa por parte do mesmo parlamentar", disse Holness. "Moderou-se a resposta na esperança de que não se repetisse. Porém moderar não pode ser confundido com permissão, paciência não pode ser confundida com fraqueza, e silêncio não pode ser confundido com aceitação", acrescentou.

As palavras de Holness vieram na sequência da identificação nominal e suspensão de Brown Burke da Câmara na semana passada, depois que a parlamentar da Oposição apoderou-se da maça cerimonial durante o estágio em comité do debate sobre o projeto de lei NaRRA, precipitando a desordem no plenário e obrigando a interrupção dos trabalhos.

Ao falar com o Observer após a sessão de terça-feira, Brown Burke contestou de forma enfática o relato feito por Holness sobre ocorrido e acusou a presidente da Câmara de habitualmente impedir parlamentares da Oposição de intervir nos debates.

"Não apresentamos o caso ao povo jamaicano. Temos ficado quietos, fizemos protesto dentro da Câmara, falamos com a presidente, falamos com outras autoridades sobre o clima dentro da casa, que impede parlamentares da Oposição de, de facto, tomar parte nas discussões e nos debates", disse Brown Burke.

A deputada sustentou que o regime interno estava a ser aplicado de modo desigual e que colegas eram frequentemente impedidos de intervir. "O que uma pessoa da bancada do Governo pode fazer impunemente, para nós é vedado", disse ao mesmo tempo que acusava Holness de agir com partidarismo. Brown Burke foi mais longe ao alegar que a disposição dos microfones na câmara fora «armamentizada» contra a Oposição, com parlamentares censurados no som ou omitidos das atas oficiais.

Declarou que a temperatura aumentou durante o debate da terça-feira anterior sobre o NaRRA depois de várias tentativas suas de entrar na discussão terem sido desconsideradas pela Mesa. "Em três ocasiões distintas quis fazer um pronunciamento para intervir na discussão… A presidente olhou-me e simplesmente virou a cabeça e dirigiu o olhar para o outro lado", afirmou.

A deputada por St Andrew South Western admitiu que tocar na maça violava normas parlamentares, mas sustentou que o gesto fora protesto contra o que descrevia como desrespeito contínuo dirigido à Oposição.

"E então eu levantei-me. Como eu disse, interagi com a maça. E sabemos o que o regime diz. Não pretendo que fosse legitimado pelo regimento interno. De modo nenhum. Mas foi por causa desse empurrão, dessa falta de atenção, desse comportamento desrespeitoso repetido pela presidente da Câmara", disse Brown Burke.

Também rejeitou a versão que Holness dera sobre o episódio anterior relacionado à "virago", dizendo que as suas palavras tinham sido deturpadas. "Eu disse: 'Tenho que me comportar como uma virago para ser ouvida?' Foi isto que disse, e achei que era uma pergunta legítima. Porque não acredito que deva comportar-me como uma virago para ser ouvida", contou ao Observer.

No seu próprio discurso perante os deputados, Holness sustentou que o assunto ia além da conduta de um só parlamentar e equivalia a uma ameaça mais ampla à ordem e à dignidade do Parlamento. "A maça não é um adorno. Não é um adereço. Não é um objeto para usar em protesto. É o símbolo da autoridade desta Câmara", declarou.

A presidente voltou igualmente cargas contra a conduta dos membros da Oposição nas horas seguintes à suspensão de Brown Burke, dizendo que o líder da Oposição e outros deputados tomaram parte num «protesto em pé entoado ao coro», em desafio direto à autoridade da Mesa. Afirmou ter anteriormente deixado passar aquilo que descrevera como «comentários pejorativos sussurrados sob o véu da voz baixa, calúnias e poses desrespeitosas», por parte de um pequeno número de parlamentares da Oposição, numa tentativa de manter a marcha dos trabalhos da Câmara.

Mesmo no calor das trocas, ambas indicaram estar em falta uma reflexão mais ampla sobre comportamento e tom dentro do Parlamento. "Ordem não é inimiga da democracia. Ordem é o que torna a democracia possível", disse Holness ao plenário. Brown Burke, pelo seu lado, afirmou esperar que o episódio leve o Parlamento a rever o modo como os membros se tratam. "Vamos traçar uma linha. Vamos definir como nos relacionamos. Mas chega de hipocrisia", disse.

Sindicado de Jamaica Observer · publicado originalmente em .

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